• Mariana de Faria

resistiremos

Foto de Fernando Bizerra

Quando comecei a pensar sobre quais temas poderia escrever no blog da Purpurina, ainda estávamos em período eleitoral. Oscilei entre as fake news no WhatsApp que, definitivamente, ajudaram a decidir o pleito e sobre a trajetória da figura que em alguns dias, chamaremos de presidente do Brasil. Mas, convivendo com amigos muito próximos que não deixam o assunto das eleições morrer, decidi que vou escrever sobre as pessoas, mesmo nesses tempos em que não sabemos muito bem o que virá.


Elas são tudo o que temos.


Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito defendendo o liberalismo econômico e o conservadorismo – esse segundo ponto com o objetivo de preservar os “costumes e as tradições” do nosso país. E em suas aparições públicas assume uma postura preconceituosa, racista, machista, homofóbica, misógina e ignorante (não preciso me desculpar pelos adjetivos, né).


E ela foi legitimada pelos brasileiros. Banalizamos o discurso de ódio, as necessidades das minorias e elegemos Jair Bolsonaro.


Ainda durante o processo do segundo turno foram registrados casos de agressões por parte de apoiadores do então candidato do PSL . Sem contar as discussões e rompimentos entre amigos e familiares. Depois do resultado das eleições, vi amigos e familiares perdidos, desanimados, frustrados, com sensações de desproteção e até de não-pertencimento. Passamos dias tristes e silenciosos.


Ainda não sabemos como vão se organizar os movimentos para fiscalizar o governo de Bolsonaro e nem até que ponto eles serão permitidos. Já não temos mais certeza em quais instituições podemos confiar. Junto a isso tudo, uma crise de lideranças.

Mas aos poucos, fomos percebendo que ainda temos uns aos outros. Relações se romperam mas outras mãos alcançaram as nossas.


Esses meus amigos, que pensei que desistiriam... resistiram. Não deixam o assunto morrer. Eles seguem se posicionando cada vez mais. Cada vez menos tolerantes com o que agride a existência deles ou de qualquer outra minoria. Eles se posicionam na internet, na rua, com pequenos e grandes gestos. Em conversas de bar, em debates com família, nas relações de trabalho.


Vi as pessoas sendo solidárias a outras que nem conhecem, como uma vaquinha para ajudar outras que foram vítimas de crimes de ódio.

Vi que casamentos homoafetivos aumentaram.

E o o Nordeste segue resistindo.

Ambientalistas se uniram em resistência.


Cuidemos uns dos outros


É isso. Cuidemos uns dos outros, olhemos para o lado. Ouvi de uma amiga essa semana: “Mari, uma vela ilumina um cômodo inteiro”. Sejamos luz. Vamos exercitar a empatia e a sororidade em tempos tão sombrios.


É óbvio que as expectativas para o que vem em 2019 são péssimas no que diz respeito à medidas que favoreçam as minorias, a pluralidade ou qualquer outra coisa do tipo. Mas uma coisa a gente sabe: ninguém solta da mão de ninguém.


Finalizo minha estreia neste espaço com uma música: Madeira de Lei que Cupim não Rói, do Capiba (nenhuma surpresa em saber que ele é pernambucano).


Madeira que Cupim Não Rói

Capiba


Madeira do rosarinho Vem a cidade sua fama mostrar E traz com seu pessoal

Seu estandarte tão original

Não vem pra fazer barulho Vem só dizer... e com satisfação Queiram ou não queiram os juízes O nosso bloco é de fato campeão

E se aqui estamos, cantando esta canção Viemos defender a nossa tradição

E dizer bem alto que a injustiça dói Nós somos madeira de lei que cupim não rói



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