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5 tendências pós-coronavírus para 2021


DE QUE FORMA ELAS PODEM AFETAR COMPORTAMENTOS DE MODA, CULTURA E COMUNICAÇÃO?


Rick Owens Primavera 2021 Cortesia


Começamos 2020 sem ter ideia do que nos esperava. Agora terminamos o ano contabilizando as inúmeras perdas, entendendo todos os processos de mudanças impostas pelo coronavírus e tentando vislumbrar o que vem por aí em 2021. Para os especialistas em análise de tendências muitas dessas mudanças chamadas de "novo normal" já estavam sendo previstas no horizonte e o cenário de pandemia acabou por acelerar movimentos já esperados. A indústria da moda foi uma das mais impactadas, sofrendo transformações essenciais em seu funcionamento, que devem amadurecer no próximo ano e modificar sem retorno a sua estrutura. Analisamos as últimas semanas de moda pelo mundo e insights gerados pelas redes sociais para prever 5 tendências de consumo que vão impactar os comportamentos em 2021.


Forma, Função e Emoção:

O Covid obrigou a indústria da moda a repensar seus formatos e seu propósito. A artificialidade e a ostentação dos desfiles se tornaram não só impraticáveis, como sinônimos de mau gosto em meio a uma pandemia. As roupas voltam a assumir o protagonismo, mais pautadas pelo design e pela funcionalidade. Surge uma abordagem mais pragmática sobre o vestir, menos escapista, mais prática, mais sentimental. Desde os formatos de apresentação que passam por experimentações digitais, por desfiles sem plateia e sem distrações até às coleções calculadas e racionalizadas. Não estamos falando de uma moda básica e sim de peças pensadas em cada detalhe e função. Como a repaginação de silhuetas com shapes mais soltos, clássicos confortáveis como o moletom que ganha texturas artesanais, estampas de aparência vintage que acionam diretamente lembranças... Voltamos à essência: roupas que despertam emoções.


Prada Primavera 2021 Divulgação

Experiência imersiva no showroom digital da Diesel Cortesia



Masculinidades Possíveis

O que consideramos feminino e masculino está cada vez mais fluido. Apesar de já presente nas discussões, a subversão dos códigos que definem a masculinidade dessa vez chega forte na mídia e nas passarelas como uma mudança de comportamento, sem ser uma afronta, sem a intenção de ser chocante ou mesmo engraçada: tem uma cara natural e sexy. A capa de Harry Styles para a Vogue usando um vestido de pregas e babados com um smoking por cima é um marco nesse sentido. As formas e caimentos mais ousados na temporada masculina de Inverno 2020/21 também. Tanto o cantor quanto as passarelas dão o recado que as linhas do que é X ou Y estão cada vez mais embaçadas e a Geração Z com uma mentalidade mais progressistas em relação à expressão de gênero consolida esse comportamento.


Harry Styles para Vogue, Dezembro 2020 Foto: Tyler Mitchell


Loewe Inverno 2020/21 Reprodução

Beachwear de Adriana Degreas Foto: Lufree

Feito à Mão

Receitas de pão caseiro, fotos de bolo, paredes pintadas à mão, hortas sendo cultivadas... O movimento pela criação e consumo de produtos caseiros já era tendência, mas com a pandemia em 2020 acabou por modificar nossa cadeia de consumo e pretende continuar modificando. O resgate do artesanal reflete uma necessidade de voltar a nos conectar com o manual, com o toque, de diminuir a ansiedade causada pelo confinamento e de contornar a falta de matéria prima no mercado. Do couro à palha, técnicas tradicionais e manuais, como o crochê, o tricô e o bordado foram resgatadas e marcaram presença em quase todas coleções de destaque da temporada. O fast fashion é substituído pela valorização da tradição, das lembranças, do local.


Christian Dior Primavera 2021 Foto: Godustyle.com


Bottega Veneta Verão 2021 Foto: Tyrone Lebon

Eckhaus Latta Primavera 2021 Cortesia



Caipira Moderna

Historicamente depois de guerras e tempos difíceis, a tendência na moda e no consumo é buscar pela romantização. É assim que a estética campestre, que já nos arrebatava desde o desfile da Jacquemus em um campo de lavanda, ganha impulso com o seguimento da pandemia de covid. A estética do campo até ganhou nome entre o usuários do Tiktok: Cottagecore e representa a idealização da vida agrícola, simples e bucólica que se sobrepõe ao luxo e aos estímulos das grandes metrópoles. Essa volta às raízes pode ser concreta na vida de famílias que estão optando pelo êxodo urbano e pode ser traduzida na moda através do rústico, de babados, florais e tons suaves. No Brasil, influenciadores como @jacquesvanier e @ofaelgomes fazem sucesso exaltando o jeito caipira de ser nas redes sociais.

Jacquemus Primavera 2020 Foto: Alessandro Viero


@dolorescfr Reprodução @ofaelgomes Reprodução


Velho Playground (ou Kidcore)

Já percebeu como camisetas de desenhos animados, miçangas, pulseiras coloridas, estampas de smiley e presilhas de cabelo estão aparecendo cada vez mais na sessão de adulto? Estamos observando uma infantilização da estética como um todo. Não é difícil de entender como esse movimento surge como um contraponto debochado e divertido ao momento sério e preocupante que estamos vivendo. Resgatar referências do tempo em que crescemos é um conforto, um escape às notícias do jornal por tempos mais simples e felizes. O revival dos anos 90 e 2000 acontece no resgate dessa cultura de uma maneira geral. O sucesso de reprises de novelas antigas no Brasil tem ditado os rumos da programação de sua maior emissora e de sua plataforma de streaming. A chegada do Disney Plus também reflete o apego nostálgico à produções e à estética infantil que deve movimentar mais negócios em 2021.

@nathaliarbmedeiros Reprodução


@susan_alexandra Reprodução


O que todas essas tendências têm em comum é o fato de terem ganhado força com o cenário de pandemia e de fazerem parte de mudanças estruturais sociais e de comportamento muito maiores. De nada adianta as marcas apostarem nelas se não repensarem seus modelos de negócio. Nada será como antes e nem o público, que passa a demandar total transparência de seus processos com o consumidor, posicionamentos de empatia, foco na sustentabilidade, discurso alinhado com ações concretas no offline, uma relação íntima com a comunidade, fornecedores e colaboradores, e uma digitalização ampla de processos e conteúdo. Quando isso tudo passar as empresas terão a escolha de continuarem caminhando em direção à mudança ou de ficarem suscetíveis a novas crises. É melhor que aproveitemos o recado.